
O corpo exausto, o pensamento cansado, meu raciocínio pedindo demissão e a insônia me fazendo de vítima mais uma noite.
As horas que passavam, parecia não passar. Uma madrugada renitente, agoniada. Tentei disfarçar a insônia fazendo cara de sono. Mas, meus olhos insistiam em manter-me acordada. Obedeci... Ouvi grilos, ouvi músicas. Conversei com o espelho, vi pessoas conversando na rua.
Fiquei ali sentada na janela, com os cotovelos nos joelhos e o queixo apoiado nas mãos.
Aquela lua me convidava para ser sua espectadora. Fiquei a noite toda olhando toda a noite passar. Viajei no espaço sideral, sem termo, sem limite. Tudo ao acaso, sem pretensão de volta a realidade.
As estrelas apagavam-se uma por uma. E quando a lua desejou bom-dia ao sol, dezenas de passarinhos vieram até minha janela cochichar seus sonhos. Só então, depois de sonhar acordada, fui dormir sonhando.
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